Colectivo S.A.S

Ideia inicial de pesquisa

SAS é um colectivo de artistas portugueses formado por Simão Costa, Ana Trincão e Sónia Moreira que trabalham nas áreas da performance contemporânea, composição electrónica e escultura e que tinham a intenção e a vontade de trabalhar juntos num projecto em comum que juntasse as suas áreas de intervenção artística. Só faltava o sítio com as condições para o fazer. Assim o SAS candidatou-se às residências Arte N’Aldeia e dentro deste contexto  nasceu a SAS – Orkestra de Rádios, um projecto que explora a performance sonora e táctil na a fonosfera local através de objectos sonoros que se desenvolvem através de sistemas tecnológicos hi e low budget criando dispositivos electrónicos móveis e peças artísticas radiofónicas.

Por outras palavras, este projecto é composto por conjuntos de rádios conectados a antenas. Cada conjunto é composto por uma antena e rádio, que juntos formam um instrumento musical per si em que o som é despoletado através do contacto táctil com a superfície material da antena. As modelações sonoras e modo de tocar de cada instrumento dependem directamente do seu manuseamento através da pressão e contacto táctil da pele com a antena. Pode (e deve) ser tocado por várias pessoas em simultâneo. Neste caso o contacto (toque) entre duas pessoas passa a ser o controlador sonoro, sendo que diferentes formas de se tocar no outro dá origem a diferentes resultados sonoros.

Assim as experiências iniciais que foram exploradas durante a residência relacionaram-se com a  idiossincrasia específica do local,  tanto do ponto de vista físico e espacial, como do ponto de vista da moldura humana.

Estas experiências foram tomando formas variadas, tais como, improvisãções sonoras esporádicas em contexto local,  performances momentâneas, apelo à participação colectiva pelas população local,  instalações expositiva, um workshops temático e por fim uma apresentação do resultado final do trabalho criativo desenvolvido durante a residência.

O SAS – Orkestra de Rádios,  tem orgulho de ter nascido em em S. Pedro do Rio Seco e de continuar vivo e a crescer.

Metodologia

O modus operandi do colectivo SAS  dividiu-se por várias tipologias de intervenção, organizando-se assim, à medida que o trabalho ia sendo construído e crescendo.

Começámos por organizar o espaço de trabalho, situado na Escola Primária,  com um mínimo de feng shui que fosse agradável aos três membros do colectivo. De seguida começámos a recriar a partir de um objecto sonoro posteriormente concebido, novos objectos da mesma família técnica mas de outras famílias estéticas.

Assim nasceu o Android, objecto de pequeno formato concebido dentro de um género de tupperware para colocar sabonetes.  É delicado, gosta de imitar passarinhos e de música tecno e  tem como pai o Pinóquio: Antena de pequeno formato idêntica às usadas em cima do televisor. O potenciómetro usado para modelar o seu som deu-lhe um aspecto facial com um nariz comprido. O seu som é convicto mas às vezes é mentiroso.

Um dos momentos altos durante o processo criativo do colectivo durante a residência foi quando a experimentação de sonorizar uma antena urbana, de prédio, funcionou.

Assim nasceu o Espinhas: Antena de telhado, em formato triangular. É frenético, jovem e cheio de garra. De seguida nasce a Eva concebida a partir de antena de telhado, toca-se sentado como se fosse um violoncelo, é frágil doce e especializada em glissandos. Por último demos à luz o Dermo Babe: Complexo e volátil, difícil de controlar mas muito generoso quando se encontra um ponto sensível. É hermafrodita. Outro modelo de antena de telhado. Gosta de sons graves e também tem potencial para secção rítmica.

Esta foi uma recolha que aconteceu com alguma naturalidade durante a residência em modo peditório à população local que por esta altura já tinha tido contacto com os aliens que andavam com as antenas no ar por S. Pedro.

Seguiu-se um workshop de criação sonora. Este workshop recorreu a exemplos históricos de música electroacústica e outras nomeadamente com enfoque no obra “Artikulation” do Ligeti. Baseou-se também na ideia de partituras gráficas como suporte e apoio à improvisação musical em colectivo integrando instrumentistas com ou sem treino musical.

 O final da residência culminou no concerto: Quarteto de antenas em set de improvisação estruturada explorando várias potencialidades musicais e dramatúrgicas associadas ao som/ potencial de cada instrumentos e seu modo de usar.

O processo – desafios e surpresas

Um dos momentos altos durante o processo criativo do colectivo durante a residência, que pode ser considerado um desafio foi quando experimentamos sonorizar uma antena urbana, de prédio. A surpresa foi quando funcionou.

Outra das surpresas foi o enfoque no toque entre os tocadores de antenas e os participantes, e também entre participantes, na medida da sua informalidade e espontâneadade delimitada pelos contextos específicos das gentes e locais onde este acontecimentos decorrem.

Foi bastante satisfatório ver a receptividade de um projecto que se apresentava experimental e à priori estranho, até se entranhar.

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Resultados finais

O final da residência culminou numa apresentação no festival Tempo d’Aldeia em formato de concerto de antenas em set de improvisação estruturada explorando várias potencialidades musicais e dramatúrgicas associadas ao som/ potencial de cada instrumentos e seu modo de usar. O colectivo convidou a bailarina  Catariana Ascenção, também ela artista residente para participar na apresentação do concerto, formando assim um quarteto.

Durante o concerto houve momentos de silêncio/ som por contacto táctil (cada antena tem a sua idiosincrasia sonora) e de hacking (por contacto táctil com a antena) e de sintonização de estação de rádio. Realçamos o potencial dramatúrgico e performativo resultante da manipulação dos instrumentos, assim como do contacto pele com pele entre vários instrumentistas em torno de um só instrumento.

No fim ainda se tocou o improvável, as felicitações de aniversário a amiga que pelo festival passava.

 

Biografias

Ana Trincão (Almada 1981)

AnaTrincãoÉ mestre em Dança (MA SODA) UDK / HZT Berlim (2012)  e recebeu uma bolsa  da Fundação Calouste Gulbenkian para frequentar o mestrado . É licenciada em Artes Visuais pela ESAD, nas Caldas da Rainha Portugal e fez Erasmus na  Universidade de Hildesheim Alemanha (2005). Frequentou o Curso de Pesquisa e Investigação Coreográfica do Fórum Dança no Porto (2005/2006). Foi artista residente no projecto Sítio das Artes no âmbito no programa O Estado do Mundo (Fundação Calouste Gulbenkian, 2007).Trabalhou no CENTA (Centro de Investigação e Novas Tendências Artísticas), dirigindo o departamento de dança. (2008). Foi Bolseira “DanceWEB” no Impulstanz Festival, Áustria Viena (2009) e artista convidada em Point  to Point, plataforma de criação e intercâmbio entre a Ásia – Europa, organizada pela ASEF e Alkantara, em Lisboa (2009). É membro do grupo de pesquisa “interferências” com o qual editou o livro “El libro INTERFERENCIAS The Book”, e do colectivo de artistas internacional Inconsumível. Em 2011 foi artista residente na IV edição do Programa de Residência de Artistas Ibero-Americano e Haiti, no México. Desde 2007 desenvolve projectos que cruzam a dança as artes visuais, as suas obras foram apresentados em Portugal, Espanha, Alemanha e México.

Sónia Moreira (Lisboa 1981)

SóniaMoreiraFrequenta o mestrado em Escultura Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (2012) e é licenciada em Artes Plásticas pela ESAD das Caldas da Rainha (2004). Possui o curso técnico de webdesign e produção multimédia (2005). Fez estágio profissional em Artes Plásticas através do Programa Comunitário Leonardo da Vinci, na Werkstatthaus, em Estugarda, Alemanha (2006). Foi assistente convidada do Projecto Internacional de Teatro e Circo em Brno, na República Checa, um projecto de intercâmbio jovem entre a Polónia (Lodz), Republica Checa (Brno) e Alemanha (Estugarda), onde foi co-tutora do atelier de interpretação e criação de máscaras (2006). Foi monitora no Museu Colecção Berardo – Museu de Arte Contemporânea em Belém e assistente de exposição, Anteciparte, Lisboa (2010;2005). Foi artista residente no programa rede de residências Experimentação Arte/Ciência/Tecnologia – interacção entre Arte e Ciência um projecto entre Ciência Viva, Direcção Geral das Artes, Ministério da Cultura e IPATIMUP (2007) e artista residente na Arte n’Aldeia em S.Pedro do Rio Seco, 2013. Trabalhou como investigadora da obra do pintor Rogério Ribeiro na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea de Almada(2007-2009) e do artista plástico Jorge Varanda pelo Serviço Educativo de Belas-Artes da Fundação Calouste de Gulbenkian(2010). Das exposições individuais destaca-se, In-tensions, exposição de fotografia e de escultura, na Werkstatthaus, Estugarda, Alemanha(2006) e a In_tensões, na galeria Round the Corner em Lisboa(2009) e a sua primeira escultura pública, PI de 2012, situada em Moledo, Lourinhã.  É criadora e tutora dos seus próprios ateliers de expressão plástica para pessoas com e sem necessidades especiais e trabalha como artista plástica no Atelier Concorde.

Simão Costa (Lisboa 1979)

SimãoCostaCom formação como pianista clássico acaba o conservatório nacional com 20 valores em 1998, seguindo a sua formação na escola superior de música de Lisboa e na Hogsschool Musik en Dans em Roterdão.

Desde 2004 que trabalha a solo e em colaboração com músicos, artistas plásticos, intérpretes e performers, desenvolvendo projectos de criação como músico e compositor. Liga objectos/instrumentos, electrónica/código, materializando peças sonoras que envolvem vários meios e formas (concertos, instalações, cruzamento interdisciplinar). Concebe e desenha o seu próprio software em linguagem de programação MAX/MSP/JItter.

Concebe e implementa propostas e projectos educativos que relacionam tecnologia e criatividade. Implementa em 2010 o projecto LabMóvel – laboratório experimental para a criatividade e educação em parceria com o Descobrir – FCGulbenkian.

O seu trabalho foi premiado internacionalmente, 1o prémio em Bourges / IMEB na categoria de música para dança com a música para “Subterrâneos do Corpo” de Ana Martins. Recebeu várias encomendas de criação e participa regularmente em programas de residências artísticas como o VICC na Suécia; o Sítio das Artes na Gulbenkian; o Programa rede de residências Arte, Ciência e Tecnologia; o Centro de Experimentação Artística do CPAI-Fábrica da Pólvora; entre outros.

É membro fundador da MãoSimMão – associação cultural. Das últimas criações destacam-se as esculturas sonoras “c_Vib” em parceria com o Pavilhão do Conhecimento/ Ciência Viva e apoio da DGartes, “pi_ADD(a)” forte para piano electrónica e audio bailarina uma co-Produção com a fábrica das artes – CCB e “LAN em fuga”(teatro e música), uma co-produção Vo’Arte – InShadow no S. Luis e apoio da DGArtes. O seu trabalho tem sido apresentado em Portugal, Espanha, França, Polónia e Holanda. Actualmente vive e trabalha em Lisboa como músico e compositor independente.

Contactos

Simão Costa: simao_costa@maosimmao.com

Ana Trincão: anatrincao@gmail.com

Sónia Moreira: soniamoreira6@gmail.com

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