Mariana Silva e Mariana Rei

Ideia inicial de pesquisa

São Pedro de Rio Seco, aldeia raiana de fronteira entre dois países. Fronteira que enquanto limite, onde tudo está em movimento, projecta a condição contemporânea da transitoriedade intrínseca a um mundo globalizado. Local de passagens – mais ou menos clandestinas -, de chegadas e de partidas, de emigração, e agora também de retorno dos que um dia partiram, ou de chegada dos que ali nunca pertenceram.

Estar de passagem também será a nossa condição. Mas é nesta transitoriedade que procuraremos, com o nosso projecto, encontrar o elemento humano, acreditando que os encontros são provocadores de transformações subjectivas nos sujeitos envolvidos e motes para activação de percepções sobre si, os outros e os seus lugares. Numa acção intensa mas que não deixará de ser efémera, os encontros deflagradores de relações e de situações criativas de contacto, serão o nosso mote.

Num projecto que apenas se concretiza através da interacção com a comunidade, num processo colaborativo, pretendemos colectivizar pensamentos, práticas e modos de ver de um lugar de fronteira e dos seus habitantes, naquele que propomos ser um projecto de arqueologia contemporânea, em busca de vestígios materiais e imateriais desta condição glocalizada.

Galeria8

Metodologia Prevista

Pretendemos concretizar este projecto através de um trabalho de recolha de vestígios materiais e imateriais, em suporte audiovisual, com a população de São Pedro de Rio Seco, com vista à constituição de um arquivo vivo. O arquivo que pretendemos iniciar resultará da recolha e registo audiovisual (som e fotografia) de objectos, fotografias, lugares, memórias e vivências representativas do lugar da aldeia no mundo actual. Ao longo desta recolha, pretendemos dar a conhecer este processo através da construção de uma instalação em local público, onde diariamente serão acrescentados registos visuais do material recolhido. Com isto pretende-se reforçar o carácter colaborativo do projecto, criando a possibilidade de exposição e reconstrução contínua deste arquivo colectivo, cujo formato final – apresentado em exposição ao longo do Festival Tempo d’Aldeia – será determinado num momento de reflexão com todos os intervenientes. Todo o material recolhido será compilado online, numa plataforma multimédia, capaz de colocar este projecto no circuito internacional.

Entrevistas

O processo – Desafios e surpresas

Quando idealizamos este projecto, desde logo sabíamos do seu carácter transitório e da intensidade que o elemento humano teria no seu desenvolvimento. De facto, assim foi. Desde o primeiro dia nos diziam mas depois vão-se embora!, têm de ficar para a festa!. Mas, apesar disso, também desde o primeiro dia começaram a partilhar generosamente  as suas histórias e vivências, recebendo-nos de braços abertos e mesa cheia à boa maneira raiana.

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A rede humana tornou-se mais densa a cada dia que passava e isso marcou fortemente o ritmo da nossa estadia em S. Pedro. Idas ao rio foram adiadas, cuidar dos jericos ficou para próxima e campeonatos de matraquilhos no café do Toni nem sempre puderam contar com a nossa energia. Sempre em função do ritmo alucinante que imprimimos ao projecto, com recolhas literalmente de manhã, à tarde e à noite, sempre com o mesmo objectivo: o de procurar fazer um retrato o mais abrangente possível e que fosse capaz de devolver na mesma medida tudo o que nos foi dado.

Surpresas, apenas pela positiva! Não só pela intensa partilha com toda a malta da residência e da Associação Rio Vivo, mas também pelo forte envolvimento e participação da comunidade que, nos momentos de debate que organizámos, superou qualquer expectativa.

Resultados finais

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Biografias

Mariana Rei e Mariana Silva são duas estudantes do mestrado em Antropologia especialização em Culturas Visuais, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, provenientes do norte do país.

Com percursos provenientes da área do design e da história da arte, cruzam-se no interesse pelo estudo das comunidades numa perspectiva antropológica, como pelas relações entre a antropologia e a imagem no contexto das culturas visuais da contemporaneidade. Procuram desenvolver formas visuais de pesquisa, em territórios como o filme etnográfico e o ensaio fotográfico, enquanto ferramentas críticas e de análise das comunidades.

Mariana Rei

Mariana ReiLicenciada em Design e actualmente mestranda em Antropologia – Culturas Visuais na FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Possui formação profissional em diversas áreas criativas, e experiências a título voluntário nas áreas de gestão de projectos e cooperação e desenvolvimento. Profissionalmente, trabalhou em diversas áreas afectas ao Design, ao nível nacional e internacional. Destaca-se, recentemente, o estágio INOV-Art – Direcção Geral das Artes que efectuou em 2011 em Nova Deli (Índia), no âmbito do qual contactou com diversas organizações a trabalhar para a inovação e desenvolvimento sócio-económico da Índia.

Com experiência prolongada de terreno na Índia, Itália e Cabo Verde, procura sempre novos desafios e oportunidades de aprendizagem. É curiosa, optimista, dedicada e amante do trabalho em equipa. Adora ainda o trabalho de terreno, procurando sempre novos projectos que cruzem a área visual e criativa com a área social e de desenvolvimento, ou que conduzam a um melhor entendimento de um dado tópico.

Mariana Silva

Mariana SilvaLicenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2008), aqui conclui também o Mestrado em História da Arte Portuguesa (2011), onde pela sua ânsia por juntar academia com o mundo lá fora realiza estágio curricular no Serviço Educativo do Museu do Douro – Fundação Museu do Douro (Peso da Régua, Portugal). Aqui, pela primeira vez (ou talvez não), percebe que realmente aquilo que a faz feliz é trabalhar para os outros e com os outros, livre e fora de portas e não encerrada numa biblioteca.

Durante 2011 e 2012 trabalha como historiadora de arte para a Rota do Românico (Vale do Sousa e Tâmega), contudo, pelas vicissitudes desta vida, vendo-se sem mais serviços para prestar, ruma até Lisboa para frequentar o Mestrado em Antropologia especialização em Culturas Visuais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde frequenta agora o 2º ano e encontra-se a elaborar o projecto do seu futuro doutoramento.

Privilegiando a escala da proximidade, interessa-se pelo mundo que está ao nosso lado e não por aquele que nos é exótico, procurando desenvolver formas visuais participativas de pesquisa, de intervenção e de partilha em comunidades.

Contactos

Mariana Rei – mariana.rei @ gmail.com

Mariana Silva – marianasilva413 @ gmail.com

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